Por que é tão difícil trocar o gasto de hoje pela economia para amanhã

A nossa expectativa de vida é cada vez maior. Não sei se você é uma delas, mas são poucas as pessoas que transformam esse conhecimento em economias para o futuro (quando não vamos poder ou querer trabalhar, e precisaremos dessa reserva). Cientistas curiosos com essa ‘falta de consideração’ que temos com o nosso eu no futuro fizeram um estudo bem interessante que pode explicar o motivo desse desapego: no futuro você é outra pessoa.

Os neuroscientistas de Stanford descobriram que ativamos a mesma parte do cérebro quando pensamos em nós mesmos daqui a 10 anos e quando pensamos em uma pessoa desconhecida. Durante o estudo, pediram que as pessoas pensassem em si mesmas em 10 anos e nos atores Natalie Portman e Matt Damon. A maior parte dos participantes ativou a mesma parte do cérebro nos dois momentos.

Mesmo antes desse estudo, um teste simples era aplicado e pode demonstrar o mesmo efeito. Basta responder às 2 perguntas abaixo:

  1. Se você tiver que escolher entre receber R$ 100 hoje ou R$ 110 daqui a um mês, o que prefere?
  2. Se você tiver de escolher entre receber R$ 100 em abril de 2019 ou R$ 110 em maio de 2019, o que prefere?

Muita gente escolhe R$ 100 hoje na primeira pergunta e R$ 110 na segunda. Qual a pegadinha? Eu posso preferir ter R$ 100 na mão, hoje, em vez de ter R$ 10 a mais em um mês. Mas, ao mesmo tempo, penso que a Mariana de abril de 2019 não vai se importar em esperar um mês para ter os mesmos R$ 10 a mais.

Três dicas para mudar esse processo

Sabendo disso, o que é preciso é mudar os hábitos hoje. E há formas de tornar mais fáceis as decisões que beneficiam você amanhã.

A primeira dica é: FUJA do que te tenta. Pessoas que persistem nas melhores decisões não são as que não se sentem tentadas nem são em nada diferentes de mim ou de você. Mas são as que seguem essa estratégia.

Um exemplo famoso disso é o teste do marshmallow. Os pesquisadores afirmam que as crianças que conseguem resistir no teste são as que se distraem enquanto esperam. Já os que ficam olhando, cheirando o marshmallow, acabam comendo antes e por isso não ganham o segundo doce.

Se for considerar a questão de tentações na internet, é importante tomar cuidado com o remarketing. O que é remarketing? É quando aquele livro, sapato, etc, que você ficou de olho, na semana passada, fica aparecendo em sites aleatórios. A aposta de quem fez a propaganda é de que a cada vez que você vir o produto, vai pensar “será que dessa vez eu compro?”. E assim é criada novamente 50% de chance de uma compra. Bloqueadores de anúncio podem ser aliados nesse sentido.

A segunda dica inclui um exemplo real.

Por alguns anos eu trabalhei bem ao lado de um shopping, e normalmente almoçava lá, pelo custo-benefício e falta de opção mesmo. Era comum que no caminho de ida e volta, passando pelos corredores, eu e meus colegas (elas e eles) ficássemos tentados a comprar alguma coisa.

Então a dica é: não se deixe considerar se vai comprar algo quando estiver no local, ou na visita ao site. Se eu for escolher se compro ou não a cada visita ao shopping, a cada vez tenho 50% de chance de sair com uma sacola. Então a decisão tem de ser tomada antes, com base no seu orçamento.

A terceira dica é: crie uma recompensa imediata. Cada um sabe o que é uma recompensa que funciona no seu caso. Por exemplo, se você está tentando deixar de gastar para investir, crie um grupo de apoio e compartilhe com as pessoas o seu processo, inclusive nas redes sociais. Compartilhar seu desafio e suas conquistas com o apoio dos amigos pode ser o gás que falta para mudar de vez seus hábitos.

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