O Instagram me deixou mais consumista: saiba como lidar

Eu entro no Instagram todos os dias e, mesmo não seguindo muitas marcas, elas me encontram e aparecem com ofertas em posts patrocinados, muitas vezes com produtos que realmente estão dentro do meu gosto. Imagino que isso aconteça com você, que está lendo, também. Com tantos produtos “à mão” o tempo todo, é bom saber evitar as compras por impulso. 

A colunista financeira Charlotte Cowles, do The Cut, conversou com um especialista para ajudar uma leitora que se tornou consumista com o Instagram, e trouxe boas dicas de como evitar que as ofertas se tornem ciladas. Veja abaixo a minha tradução (com adaptações) da coluna, que pode ser lida na íntegra aqui

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Passo muito tempo no Instagram , em parte por gostar, e também por trabalho – eu trabalho em marketing, então tenho que estar presente nas redes sociais. O problema é que eu também uso isso para comprar, e preciso tomar as rédias disso. Eu gosto das coisas que compro, mas sei que não preciso delas. Hoje mesmo gastei 200 dólares em roupas durante uma reunião, por que aconteceu de pegar o telefone (e isso durou mais ou menos 30 segundos). Como posso me obrigar a parar? 

 

Há um prazer perverso em ver oferecido no Instagram exatamente o que você quer mesmo antes que você saiba que quer. A rede se torna um eco portátil do seu próprio gosto, com uma iluminação melhor e muitas possibilidades, onde você pode comprar quando sentir vontade (e quando não, também pode). Por isso tantas pessoas se identificam com o seu dilema. 

A solução mais fácil seria deletar o Instagram e se livrar dele completamente, mas isso não é realista pra você. Ao invés disso, você quer parar de gastar – ou gastar menos dinheiro com isso. 

Para descobrir o que você pode fazer, conversei com o psicólogo Adam Alter, professor de marketing na NYU’s Stern School of Business e autor do livro “Irresistível”, que analisa por que tantas pessoas são viciadas em comportamentos online (entre eles, compras e redes sociais). 

Ele explicou que parte do que faz o Instagram tão perigoso para a carteira é que ele ‘adestra’ você a querer coisas. “Você está olhando para as pessoas no 1% no topo entre as mais interessantes fazendo o 1% do que de mais interessante farão em suas vidas, e isso te coloca em um uma mentalidade que leva a comprar para estar melhor”, ele disse. 

O Instagram te embala em um estado mental no qual gastar dinheiro não é grande coisa. “Quando você pergunta a jogadores compulsivos como eles se sentem quando estão sentados de frente para a máquina caça-níquel,  eles descrevem uma sensação de sedação, estar livre da dor, quase flutuando. É uma situação de falta de esforço que não é real no restante da vida”, ele diz. “O Instagram é similar, ele te coloca em um estado de calmaria. O problema é que a maior parte das pessoas não se cansam disso, então elas ignoram os sinais de que é hora de ir em frente para outra coisa, e ficam lá por horas e horas”. 

A cada minuto a mais gasto no Instagram, maior é a chance de que você acabe comprando algo

De acordo com o especialista, a cada minuto a mais gasto no Instagram, maior é a chance de que você acabe comprando algo. Ao mesmo tempo, a cada “like” você dá aos anunciantes, são mais informações sobre você, assim eles podem te classificar ainda mais especificamente do que já fazem.  

A boa notícia é que saber a sua fraqueza te torna melhor equipado para resistir. Então, uma forma de amortecer a ligação entre o Instagram e a sua conta bancária é desconectar todos os métodos de pagamento pré-autorizados no seu telefone. Ter que digitar manualmente o seu cartão de crédito antes de comprar é incômodo, e deve ser. O termo usado em economia comportamental para isso é “dor do pagamento”, e se refere ao momento desconfortável de dar o dinheiro para pagar por algo (e talvez questionar se vale a pena). 

Pesquisas mostram que essa “dor” tem um papel importante na auto-regulação. E ela é reduzida ou nula quando um cartão de crédito está envolvido no pagamento – o que é chamado de “efeito do cartão de crédito”. É algo como não sentir que se trata de dinheiro de verdade ao gastar centenas de reais com dois cliques do seu polegar. 

Em segundo lugar, dê uma olhada em geral nos seus hábitos de compra. Há padrões nas suas compras por impulso? É mais provável que você compre durante certas horas do dia, ou dias da semana, por exemplo? Eu, por exemplo, tenho tendência a comprar quando fico rolando a timeline no celular antes de levantar da cama de manhã, por isso agora deixo meu telefone na cozinha antes de dormir. Uma amiga me contou que ela frequentemente gasta demais às sextas-feiras, quando sente que “merece” por ter passado pela semana, então ela temporariamente desabilita o seu Instagram na sexta à noite. 

Enquanto isso, dê uma olhada geral também no seu orçamento e veja de verdade qual o estrago. Você pode dizer “Nossa, 23% do total da minha renda está indo para compras por impulso. Isso é alarmante”, disse Alter. “Essa epifania pode ser poderosa. e motivar as pessoas a mudar”. 

Fazer um balanço das suas finanças pode te fazer perceber que você não precisa parar completamente de gastar. Talvez o seu orçamento permita uma compra sem não-planejada, dentro de uma certa quantia de dinheiro, por semana. “Se você puder reduzir a quantidade de autocontrole que precisa exercitar, isso é positivo”, diz Alter, então, “se você fizer regras rígidas e rápidas para guiar o seu comportamento de compras, mas também tiver licença para comprar ocasionalmente, pode ser mais fácil se manter sob controle. Alguma compra por impulso pode não ser tão má, afinal, mas é problemática, assim como o Instagram, quando fica fora de controle.